Entre os dias 13 e 16 de novembro de 2008, assisti na Budokan em Tokyo o 19º Campeonato Mundial de Karate WKF. Foi uma experiência extremamente válida pois além de presenciar ‘in locu’ os melhores atletas atuando no melhor de suas formas, pude trocar idéias com muita gente sobre a situação do karate no mundo e no Brasil.
Da delegação de karate do brasil, pelo menos 5 destes eram, de uma forma ou de outra, conhecidos meus de anos atrás e batemos longo papo. O Dietmar Wagner também veio e estava junto com a delegação da alemanha, pude reencontra-lo assim como o Gunter Mohr, diretor técnico com quem me encontrei em Maio deste ano no Centro Técnico da Confederação Alemã.
MINHAS IMPRESSÕES
Particularmente, gostei muito do karate do Rafel Aghayev, do Agzerbaijão, que venceu na categoria absoluto e em sua categoria de peso. Luta de forma absolutamente imprevisível, além de possuir muita potência, explosão e vigor físico.
Aliás, o que me deixou impressionado foi o fato de que os melhores lutadores possuiam um karate de técnica e muita força. Nada de toquinhos leves para marcar pontos como a gente costuma ver no Brasil. A famosa ‘muganga’, supervalorizada em terras tupiniquins em detrimento da objetividade, não é definivamente algo que acontece em lutas de alto nível. É só dar uma sacada nas finais do mundial, ou como o japonês Ibuchi foi campeão na categoria até 80 kilos. Ok ok, o Aghayev usa muganga.. mas com um detalhe, a usa taticamente para pontuar, como um meio e não como um fim. ‘Muganga a serviço da pontuação’ e não o contrário né?
Quanto a seleção japonesa, esta se apresentou de forma impecável, tendo sido a campeã geral do campeonato. Os fatos comprovam que o karate do Japão continua sendo forte, competitivo e atual em todas as suas modalidades.
Sobre a seleção Alemã, trouxe uma equipe jovem em fase de renovação, tendo um novo diretor técnico à sua frente e uma composição feminina fortíssima, venceram na categoria feminino equipe.
AS NOVAS POTÊNCIAS DO KARATE
Os paises que conseguiram se colocar bem neste campeonato promovem um intenso intercâmbio com outros paises. A destacar a Turkya e os paises do leste europeu. No caso da a Turkya, que mesmo não tendo muita tradição no karate, fez um esforço extraordinário para proporcionar à sua seleção excelentes técnicos, além de enviar seus atletas para participarem dos melhores circuitos open da Europa e Japão. O resultado é que foram simplesmente os campeões em kumite equipe masculino. Sérvia em segundo lugar, quem diria? O Azerbaijão e a Rússia, 5ºna classificação geral, fazem o mesmo.
E O BRASIL?
Quanto ao nosso Brasil, conseguiu heroicamente um terceiro lugar em kumite individual -60. Acontece que para o Brasil passar a jogar como gente grande no tabuleiro do Karate mundial, precisa encerrar a era dos ‘heróis’ e passar a planejar de verdade. Imagine um ‘atleta-herói’ brasileiro se endividando até o pescoço para pagar as despesas visando ir ao mundial de Tokyo, quando será que suas condições financeiras permitirão repetir a dose? Enquanto isso, os turkos, russos, sérvios, Azerbaijaneses, tendo todas suas despesas pagas pelas suas confederações, continuam participando dos melhores circuitos open do mundo, conhecendo seus adversários, ganhando experiência e fazendo bonito nos mundiais. Isso sem falar nos japoneses, franceses, espanhóis, italianos, alemães e ingleses, que já consolidaram uma estrutura vencedora em suas confederações..







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