Por aqui se um motorista for pego no bafômetro, paga 10.000 dólares de multa e ainda é preso, e não tem essa de quantidade máxima de álcool permitida, qualquer vestígio é bomba! E o carona também paga multa. Se um ciclista atropela um pedestre a multa é maior ainda: 20.000 dólares! Se o farol da bicicleta estiver apagado à noite: 500 dólares..
Monthly Archive for May, 2008
Algo que não escapa a quem chega por aqui, é que se multiplicam revistas de variedades onde cerca de 80% de suas páginas são constituidas de anúncios, o que revela a necessidade dos novos negócios dekaseguis (brasileiros que vão ao Japão para trabalhar) de se mostrar e serem percebidos. São edições gratuitas, vorazmente consumidadas pela comunidade dekassegui, e seus anúncios vão desde empregos em fábricas, mudanças para o Brasil, agências de turismo, telefonia, imobiliárias, locadoras de automóveis, equipamentos eletrônicos, etc.
Os cerca de 20% das páginas restantes são reservadas para matérias, que são em geral bem interessantes e de boa utilidade para os que moram aqui. Até o momento contabilizei cerca de 8 revistas diferentes, sendo 2 de grande tiragem (entre 50.000 e 65.000 exemplares e cerca de 280 páginas), estas praticamente alcançam a maioria dos 340.000 brasileiros residentes aqui, contando com excelente canal de distribuição
Para atender a demanda destas novas empresas por serviço de design, a cerca de 5 anos surgiram os primeiros prestadores de serviço nesta área. Inicialmente free-lancers, hoje já existem escritórios dotados de estrutura para atender essa clientela que cresce a cada dia.
Cores vibrantes, profusão de elementos, composição simples, muito uso de degradês, sombras projetadas, relevos, etc. denotam certa ansiedade em ser visto e notado, além de possuir características visuais curiosamente efêmeras, pegas emprestadas do estilo japonês. Estes elementos caracterizam uma cultura visual sem similar no brasil nem no “Japão dos japoneses”, é algo particular da comunidade dekasegui
Fazem 14 dias que cheguei no Japão, nesse meio tempo conheci vários brasileiros dekaseguis (aquele que veio ao Japão para trabalhar), e cada um com suas interessantes histórias de vida. Percebi que existem basicamente 2 categorias de brasileiros, os que trabalham em fábricas e os que conseguiram escapar deste esquema montando seu próprio negócio, ou sendo funcionários de brasileiros. Existe também uma pequena minoria que domina o idioma japonês falado e escrito, e que está perfeitamente integrada na sociedade japonesa inclusive trabalhando como contratado em empresas japonesas.
O perfil do trabalhador brasileiro está mudando, muitos estão vindo para ficar e se estabelecer definitivamente, ao contrário de anos atrás onde o objetivo era ficar 2 ou 3 anos “juntar um pé de meia” decente e retornar ao Brasil.
Dos que montam seu próprio negócio, a maioria não possue experiência anterior em comércio e grande parte constituem pequenas empresas prestadoras de serviços ou pequenos comércios. Até o momento poucos conseguiram evoluir para empresas de médio porte, mas de qualquer forma, este é um fenômeno recente de cerca de 10 ou 15 anos e que se acentuou nos últimos 5 anos.
Hoje existem cerca de 1500 pequenas e médias empresas de brasileiros, destas apenas 200 são legalizadas.
Estive neste último dia 15/05 novamente em Hamamatsu, e desta vez quis conhecer as famosas casa noturnas brasileiras que me atiçam a curiosidade antes mesmo de vir ao Japão. Primeiro fomos a um karaoke chamado ‘Nosso Bar’, pequeno e aconchegante, todas as mesas estavam ocupadas. O dono do bar era um casal de brasileiros, assim como sua clientela, que era formada principalmente de casais. Tinha petiscos, bebidas e músicas brasileiras, e também um típico chato de bar que ficava enchendo o saco de todo mundo..
Ficamos pouco tempo, em seguida fomos para outro karaoke chamado ‘Oba Oba Brasil’. Este tinha estrutura maior, mas com interior mal acabado e descuidado, devia ter cerca de umas 30 pessoas no momento em que chegamos.
Calçando botas de couro até quase os joelhos, cinto de couro com fivela gigantesca, camisa xadrez, chapeu de cowboy e óculos escuros compunham o look de um sujeito de cerca de 45 anos, que dançava sem parar qualquer música que tocavam. Detalhe, ele tentava assumir um personagem incompatível com o seu estilo, com as mãos dentro dos bolsos da calça jeans, tentava em vão sapatear como os cowboys daquelas festas de rodeio do centro oeste brasileiro.
Também tinha uma jovem de seus 35 anos, calça branca justa, estampada com detalhes de oncinha, barriguinha de fora com piercing no umbigo, dentro do melhor estilo ‘as panteras’. Também dançava sem parar, seu personagem exarcebava a sensualidade da mulher brasileira..
Logo depois chegou um senhor de cerca de 45 anos calçando um exuberante e tropical sapato de couro de cobra, compunha calça de listras e paletó esquisito, sua companheira bem mais alta que ele e de cerca de 35 anos vestia mini-saia preta e meia-calça com detalhes ornamentais, compunham um visual pra lá de exótico. Logo cerca de 5 ou 6 pessoas cercaram o senhor para cumprimentá-lo, acho que ele deveria ser uma espécie de ‘figurão’ por estas bandas.. sei lá..
Num determinado momento, o senhor cowboy e a senhorita pantera começaram a dançar um pseudo-forró-sensual, onde o senhor, por mais que tentasse fazer o estilo machão-marlboro-sexy, sempe errava os passos e pisava no pé da pantera..
Como ainda estou me adaptando ao fuso horário, quando deu 3 da matina pedi licença e fui dormir dentro do carro até os meus novos amigos chegarem pouco depois do amanhecer.. Perguntei sobre o cowboy, e me disseram que ele continuou com suas extravagancias até o fechamento do karaoke.
Para mim esta foi uma experiencia bem exótica.. para alguns que estão a tanto tempo longe de seu país, radicalizar o senso de brasilidade pode ser uma forma de se manter mais próximo de sua terra natal.
BRASILEIROS
Percebi que existem 2 tipos de brasileiros descendentes por aqui:
1. Os que vieram para o japão bem novos, na infância ou adolescencia, e que desde cedo tiveram educação em escolas japonesas. Falam portugues com sotaque de brasileiro, embora com entonação ligeiramente diferente, temos a impressão de estar diante um brasileiro que perdeu o ‘traquejo’ do idioma, mas na realidade este já é um japonês, pois pensa e raciocina como um deles. São como japoneses que falam bem o portugues, não espere sair uma conversa informal como no Brasil.
2. Os que não foram educados em escola de japonesa, ou que não estão aqui à decadas. Falam e pensam como brasileiros.
SAIAS DAS COLEGIAIS
90% das colegiais japonesas encurtam as saias à altura da metade da coxa, sem dúvida alguma fazem toda questão de se manterem no topo do ranking de símbolos sexuais do japão.
CUIDADO
Sempre que posso vou ao parque aqui perto para fazer exercícios, correr e me alongar, e hoje me deparei com uma placa escrita em japonês, em letras grandes vermelhas: “cuidado com tarados”. É que os tarados daqui se limitam a observar casais de namorados em bancos de parque, muitos fotografam e gravam sons dos casais..
BARATO E CARO
Barato aqui é internet (fibra ótica 100 mb/s à U$30,00 mensais) vestuário e sapato, manufaturados na China, produtos de marca de excelente qualidade praticamente a 30% a 40% dos preços praticados no Brasil. Comer na rua é mais ou menos a mesma coisa que no brasil. Caro mesmo é transporte, moradia e celular pré-pago.
ABORDAGEM
Levei um susto quando caminhando pelas ruas de Hamamatsu (cidade vizinha com 20.000 brasileiros) fomos abordados por um representante da igreja Universal.. Nos entregou um jornalzinho e nos convidou para assistir a um culto.. Fui abordado também por um mendigo brasileiro dentro de uma loja de eletrônicos..
PRATELEIRAS
A comunidade brasileira aqui é de cerca de 340.000 pessoas. Para atender a esta demanda existe várias redes de supermercados de pequeno porte que importam produtos brasileiros, são sujos e esculhambados, igualzinho aos melhores mercados de terceira categoria encontrados no Brasil. É muito curioso, pois vende carne com corte brasileiro, vendido à kilo e não à grama como nos supermercados japoneses, vc encontra os produtos mais inusitados como detergente brasileiro!! Refleti por um instante qual seria a razão de alguém comprar um produto desses aqui no japão.. saudades do aroma característico? Fiquei surpreso mesmo foi com a existencia de garrafas de cerveja Schincariol nestes mercados…!!!! É a saudade da terrinha…
Bom, de uma forma absolutamente superficial, nestes primeiros 3 dias no Japão o que percebi de diferente em relação aos tempos de 20 anos atrás foi:
- Muitos estrangeiros participando da elite do campeonato nacional de Sumô, algo impensável anos atrás.
- Japonesas andando de salto alto de forma bem desengonçada.. da última vez não lembrava deste detalhe..
- Japoneses não falam ao celular dentro de metrô e ônibus.
Depois de 34 horas de viagem, aterrissei no aeroporto de Nagoya nesta útima quinta feira a noite, dia 9 (hora Brasil), depois de uma viagem extenuante.. Saí de Recife/PE em direção a Guarulhos/SP em 3 horas de vôo, aguardei 2 horas e embarquei no vôo da Luftansa para Frankfurt/Alemanha. De lá aguardei cerca de 4 horas e parti para Nagoya/Japão. Em nenhum dos aeroportos encontrei conexão wi-fi gratuita para passageiros em transito, apenas conexões pagas como temos no aeroporto de Guararapes, uma pena já que as taxas de embarque são bem extorsivas..
DESIDRATAÇÃO
Como está proibido carregar em mala de mão liquidos de qualquer espécie, todos sofremos de certa desidratação, pois os serviços de bordo não oferecem muito líquido aos passageiros, e quando oferecem é naquele copinho de cerca de 100 ml de volume, isso aumenta a sensação de exaustão. Potencializada em mim pelo fato de nos últimos dias que antecederam a viagem estar dormindo poucas por conta das demandas profissionais e organização da viagem que tinham que ser resolvidas.
SEGURANÇA
No aeroporto de Guarulhos ninguém checou minha mochila de mão, além do que a vistoria no aparelho de raio X foi bem superficial, já no aeroporto de Frankfurt foi bem diferente, passaram um tempão avaliando o conteudo de minha mochila no raio X, além de terem feito uma inspeção em meu HD externo, passaram uma fita de papel nas aberturas de ar do aparelho, em seguida o inseriram numa especie de scanner para verificar a existencia de resíduos tóxicos ou de explosivos..
O IDIOMA
Chegando no aeroporto de Nagoya, tive que tirar na marra meu idioma japonês do armário.. descobrir qual linha de onibus pegar, comprar os tickets, mais tarde na Prefeitura de Toyohashi desenrolar com os funcionarios japoneses a confecção de meu documento de estrangeiro (Gaikokujin Toroku), etc.
E assim foi meu primeiro dia por aqui..

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