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Recife em Retratos – II Mostra Recife de Fotografia

Compilação de algumas fotos de meu projeto Recife em Retratos selecionado pela II Mostra Recife de Fotografia.

O Japão e os Japoneses – III Mostra Recife de Fotografia

Meu trabalho com as fotos do projeto “O Japão e os Japoneses” foi selecionado para a III Mostra Recife de Fotografia.

No Karate da Alemanha

No Karate da Alemanha

Entre os dias 10 e 14 de julho de 2008, vindo de Nagoya e antes de retornar ao Recife, estive em Munique, na Alemanha, para rever os amigos Dietmar Wagner, Hans-Peter Speidel e Walter Urban. Fui honrado pelo convite de ministrar aulas no curso de campo anual do TSG-Karate Schwäbisch Hall, além de ter sido muito bem recebido pelo Gunter Mohr, Diretor Técnico da Seleção Alemã, no Centro Técnico da Confederação, onde tive a satisfação de ministrar uma aula de kata, o Kanku-dai.

CONFEDERAÇÃO ALEMÃ DE KARATE
Após o treino conversei com Gunter Mohr e o Dietmar até tarde da noite sobre karate no Brasil, na Alemanha e no mundo. Homem de grande grande caráter, o Gunter é um verdadeiro diplomata do karate mundial. Promovendo intensos intercâmbios internacionais, os melhores técnicos e atletas do mundo são presença constante em seu Centro Técnico. Me foi explicado como o Karate da Alemanha conseguiu se unificar, todos tiveram que ceder um pouco para ganhar muito. Nesta noite recebi grande lições de vida, e o Gunter ganhou um novo fã!! Em tempo, o Centro Técnico possui 2 dojos, dormitórios para atletas em trânsito, bar e lanchonete, salas de ginástica e musculação, entre outras dependencias..

TSG-KARATE Schwäbisch Hall
No TSG-Karate Schwäbisch Hall ministrei duas aulas em seu curso de campo anual, uma para iniciantes até faixa roxa (kata heian-nidan) e outra para os graduadas faixa marrom e preta (kata kanku-dai). Um professor convidado ministrou treino de kumite e uma professora de condicionamento físico garantiu o aquecimento de todo o grupo. Após as aulas ouve um exame de faixa o qual observei atentamente participando da mesa. Parabéns ao TSG pela organização, seriedade e respeito que possui pelos princípios do karate!!!

UM SÓ KARATE
É evidente que qualquer modalidade esportiva entra em decadência na medida em que se fragmenta em dezenas de federações. Vontade política e hulmidade são elementos necessários para uma mudança. Acho lamentável o estado em que se encontra o karate do Brasil, em particular o de Pernambuco. Lamentável também que minha mensagem ao Karate de Pernambuco, a de que a unificação do karate Alemão é um exemplo a ser estudado, não encontrou eco, muito pelo contrário, recepção das mais frias e hostis.

CAMPEONATO MUNDIAL EM NOVEMBRO
Entre os dias 13 e 16 de novembro deste ano irei assistir na Budokan em Tokyo o 19º Campeonato Mundial de Karate WKF, ocasião onde me encontrarei com o Dietmar, o Gunter, o Daniel Pinto e outros amigos do karate Alemão. Combinamos todos de ir assistir ao treino da Takudai. Fico à disposição dos amigos do Recife que quiserem vir assistir o mundial, no sentido de dar uma orientação na reserva de hotéis, passagens e demais informações sobre o evento.

O Japão e os japoneses – III Mostra Recife de Fotografia

Exposição ‘O Japão e os japoneses’

Finalmente montei minha primeira exposição fotográfica, graças a iniciativa do Projeto Quartinha. Preciso confessar que estava bastante inseguro por estar entrando em terreno desconhecido, mas tudo correu bem e a noite foi um sucesso, como podem ver pelas fotos. Descobri que não há nada melhor que rever os amigos e ao mesmo tempo discutir sobre as imagens.

51° All Japan Karate Championship

51 All Japan Karate Championship

Assistir ao campeonato nacional JKA (Japan Karate Association) é sempre uma grande satisfação para quem curte o karate arte marcial, enche os olhos de quem assiste, e a 51ª edição não desapontou!! As eliminatórias foram dia 17 de julho no ginásio Tokyo Taikan, e as finais no dia seguinte no ginásio Budokan.

Reencontrei com 2 dos campeões e instrutores da JKA, que 20 anos atrás eram capitães dos 3° e 4° anistas do clube de karate da Universidade Takudai, onde treinei quando estive aqui pela primeira vez. São o Naka e o Taniyama, este o maior campeão de kumite (luta) de todos os tempos da JKA, tendo sido 5 vezes campeão nacional. Na Takudai ele era o terror, batia em todo mundo, e inclusive cheguei a apanhar muito dele. O Naka tem um título nacional de kumite, sendo de longe o mais simpático dos dois. Ainda se lembravam de mim, e chegamos a conversar um pouco.

No domingo, dia da final, encontrei com o Daniel Pinto, meu conterrâneo do Recife, que mora e treina karate na cidade de Hamamatsu. Comentamos as lutas e tiramos onda com os japas o dia todo.. eheh

As eliminatórias acontecem em 12 kotos (áreas), e participam desta etapa as equipes campeãs estaduais pré-selecionadas. Ao final do dia saem os finalistas das categorias equipe adulto e juvenil, além da categoria especial universitário. As categorias kumite e kata individual, masculino e feminino, com seus 32 finalistas já pré-selecionados, ficam para o dia seguinte na Budokam, que conta com apenas 4 kotos para melhor apreciação do espetáculo.

O curioso é que na categoria de equipe todos usam luvas, mas na individual não, aí o bicho pega mesmo.. É notório que nos campeonatos da JKA a categoria individual procura mater vivo o espírito e características únicas da arte marcial, é preciso ter coragem para entrar no koto e encarar os adversários com as mãos literalmente vazias.

Defendo esta característica da JKA pois, em outras entidades, o karate vem se tornando cada vez mais um esporte como outro qualquer, onde os preceitos das artes marciais vão sendo substituídos pela informalidade de um exercíco aeróbico visando competições, como o futebol, basquete, volley, etc.

Os melhores atletas não disputam na categoria equipe, e sim na individual, que é revestida de uma aura toda especial. Para se ter uma idéia, entre os 32 finalistas o nível é tão alto, que cada luta é um clássico, qualquer vacilo é fatal.

O clímax da competição são as quartas de final das lutas masculinas, e o Shimizu, que levou o trofeu de kumite e é o queridinho da JKA, foi duramente criticado pelos que acharam que a arbitragem o beneficiou em prol do desconhecido que ficou em segundo lugar.

Voltei para Toyohashi contente com o que vi.

Hotéis Cápsula de Tókyo

Sim, preciso admitir que tive o desprazer de usufruir desta experiência bizarra e desconfortável, foram 3 pernoites num desses famigerados hotéis cápsulas. Tudo começou quando quis assistir o campeonato nacional de karate em Tokyo, e estando em outra cidade tentei reservar um quarto em meu “business hotel” preferido, mas infelizmente não havia vagas para a data do evento. Pesquisei na internet e só achei vagas em hotéis mais caros, de forma que comecei a pesquisar a possibilidade de me hospedar em hotéis cápsula. Descobri um próximo à estação de Ebisu, bem no centrão de Tokyo, com o sugestivo nome de Siesta Hotel.

O fenômeno dos hotéis cápsulas, que surgiram em finais dos anos 80, volta e meia viram manchetes em programas sensacionalistas mundo afora, e se consolidam cada vez mais em Tokyo, megalópole com enorme densidade populacional. Estes hotéis são hoje uma opção de “sobrevivência” para quem perdeu seu último trem para retornar para casa, ou, como no meu caso, precisam ir a Tokyo mas não encontram quartos vagos em hotéis baratos. E não importa a hora do dia ou da madrugada, tenha a certeza de uma coisa, sempre haverá uma cápsula vaga com lençois limpinhos aguardando por você em algum recanto de Tokyo. Detalhe: em cápsulas, mulher não entra.

Instruções de uso
1. Em cima ou em baixo
A primeira pergunta que fazem é se você prefere a cápsula de “cima” ou a de “baixo”. Na dúvida escolha a de cima, isto é, se você tiver condições físicas para subir. Pague logo 3300 yenes que correspondem a cerca de 33 dólares pela pernoite e relaxe..

2. Armário?
Em seguida receba a chave de seu “armário” para guardar os sapatos e o que mais couber.. Ponha um dos pares do sapato na horizontal e o outro par na vertical, em “pé” sobre o primeiro, no mais, com algum esforço e pouco de sorte, caberá uma carteira ou algo similar..

3. Entrando na cápsula
Refeito do susto do armário, suba, sem os sapatos é claro, até o andar onde está sua cápsula. São 24 cápsulas por andar divididas em 12 de cada lado do corredor, em filas duplas de 6. Bom, uma vez localizada sua cápsula, escale os dois degraus grudados na parede e, em seguida, segurando firmemente nas barras de ferro laterais insira seus pés pela abertura da cápsula. Nesse momento muito cuidado pois o procedimento exige alguma perícia física e coordenação motora. Aqui vai uma dica: jamais entre invertido na cápsula, asseguro que as consequências serão imprevisíveis.. ahah

4. Dormindo na cápsula
Se tiver uma mochila tente deixa-la próximo aos pés, mas com a certeza de que não poderá se esticar convenientemente. A televisão, de tubo, atrapalha pois ocupa muito espaço. No seu lado direito existe um painel com alguns botões para ligar o rádio e a TV, além de um telefone para emergências. Existe um serviço “plus” que parece ser muito apreciado pelos business man japoneses, estressados por suas extensas jornadas de trabalho e precisando de um relax, são dois canais pornôs gratuitos, um com filmes ocidentais e outro com filmes japoneses. Mas não se anime muito, pois todos os filmes estão devidamente censurados com ladrilhos cobrindo as “partes” eheh.. Outra incoveniência menor, em um quarto com 24 cápsulas sempre tem uns 3 ou 4 japas roncando que nem tratores, mas se você vai dormir aqui é porque já está bem cansado, e certamente não vai se importar com detalhes como esse..

5. Acordando na cápsula
Ao acordar e depois de se perguntar “o que é isso? aonde estou?”, é hora de cair na real, escovar os dentes e tomar um bom banho. Neste momento você vai perceber que sua roupa de dormir está cheirando a cigarro, pois os japoneses são verdadeiras chaminés e fumam até se acabarem no lobby defronte o elevador, de forma que a fumaça acaba se infiltrando sem dó nas cápsulas.. Na sequência, separe seus apetrechos e vá ao banheiro coletivo no mesmo andar. Depois de encontrar o botão da descarga, que por sinal está bem escondido (um estresse), desça ao térreo para tomar sua ducha. Pelo caminho encontrará vários japoneses vestindo o roupão de dormir padrão do hotel, todos com o mesmo rosto sem expressão, de robôs estressados com mentes anestesiadas.. Na cabine da ducha, por mais que procure, não encontrará ganchos para pendurar sua roupa e toalha, vai ter que se virar.. olha aí mais outro estresse..

6. Dando o fora
Agora jogue sua toalha de banho no cesto, pegue seus sapatos, entregue as chaves e caia fora o mais rápido possível deste lugar! Mas não sem antes agradecer a existência deste serviço bizarro, única opção para muitos que precisam pernoitar nesta selva de pedra no outro lado do mundo..

O Japão e os Japoneses

O Japão e os Japoneses

Trens no Japão e seus passageiros

Trens no Japão e seus passageiros

Hiroshima

Hiroshima

Finalmente atualizo o blog, depois de 10 dias de uma viagem entre várias cidades pelo Japão. Primeiro em Toba, em seguida Tókyo e Kyoto, hoje Hiroshima, amanhã Osaka.

Apesar de ser esta minha segunda visita a Hiroshima, ir no Museu Memorial da Paz é uma intensa experiência sensorial, “um soco no estômago” em nossas emoções. Presenciar in locu os vestígios da devastação da bomba de 6 de agosto de 1945 deixa qualquer um estarrecido, basta olhar nos rostos dos visitantes, sejam adultos ou crianças.

O museu do Memorial mostra detalhes minuciosos da cidade antes, durante e depois da bomba. Na recepção aluguei o roteiro da visita de áudio em português, e foi duro ouvir as histórias na medida em que ia observando os objetos.. Existe um trecho onde estão expostas as roupas queimadas que algumas crianças usavam no momento da explosão, marmitas vitrificadas pela radiação, sandálias, etc. são objetos identificados pelos pais destas crianças, cada qual com sua história contada detalhadamente. Quando ouvi a quinta, já estava quebrado ao meio..

Havia um sem-número de escursões de escolas primarias e ginasiais, todos os alunos anotando e fazendo seus relatórios, vocês verão nas fotos.

O memorial é construído numa das partes mais atingidas pela bomba, e em suas mediações existem um sem número de monumentos edificados, cada qual com seu significado. É muito comum ver pela cidade flores, tsurus (passaros feitos de papel), garrafinhas contendo água, etc. repousados à esmo em locais como cantos de calçadas, parques, etc. estes locais são antigos endereços das vítimas, e são reverenciados até hoje pelos seus familiares. Assim, a memória das vítimas continua bem viva mesmo fora dos museus.

Para entender mais, sugiro a leitura do texto de Akira Kibi “Uma brisa de Hiroshima”